domingo, 23 de outubro de 2011

LÍQUIDO

Às vezes eu vejo beleza demais
Às vezes eu concordo demais
Sempre um líquido
Qualquer recipiente suporta, é agradável a qualquer recipiente
Sinto-me como se não tivesse recipiente,
Eu não tenho meu lugar, não tenho minhas certezas
Eu quero ter opinião, eu quero ter um eu.
Aberta demais, influenciável demais
Que culpa tenho por ver beleza em tudo, se gosto de todos os ângulos
Não, se penso que não me apaixono,
Me engano
Me apaixono quando vejo, me apaixono quando convivo
Fácil, fica fácil
Basta trazer um recipiente e me mostrá-lo
Eu vou ver, vou aceitar, posso até querer
Mas cultive, se trouxer sempre o seu recipiente,
Mas o seu, não o que alguém fez para você ou o que você gostaria de ser
As moléculas separadas e toda essa energia
Pedem apenas alguns momentos de congelador,
Deixe-me sólido pelo menos algumas vezes,
Mas por favor, não sempre.

Um comentário:

  1. Que coisa bonita, que sensível. A primeira frase me remeteu ao filme ‘beleza americana’ que te indiquei. Agora, mais do que nunca, queria que vc visse, por favor. As coisas parecem se complementar... se continuar... e novamente, o desfecho "Deixe-me sólido pelo menos algumas vezes,
    Mas por favor, não sempre." É brilhante, tem um lance genial, leminskiano.

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