domingo, 12 de maio de 2013

Pega a solidão e dança

Deus só pode morar nessa sutileza da arte
Aqui, solidão que atravanca o peito
e não faz fluir respiração.
Solidão que me desloca desse possível palpável cotidiano
mas que pra mim é tão longe quanto as estrelas.
Então é nelas que me apoio.
Nelas fixo olhar e peito.
Me colo nas estrelas
pra tentar pegar dela
um pouco de brilho.
Ou então na linha infinita dessa estrada.
Ou nas árvores e matos.
Pouso o olhar na dança
que esse movimento de viagem
faz no espaço.
Fecho os olhos e vou nos ouvidos.
Nas mãos, uma dança movida por sutileza.
Os dedos que se sentiam mesmo longe
ou que perto pareciam transar
como meu corpo hoje não faz nem fará.
Então minha companhia faz-se somente a dança.
Dançar com olhos, ouvidos, dedos ou respiração.
Busco companhia nessa arte ou nesse deus.
É aqui em mim a solidão o propulsor de algum sagrado artístico.
Ser só é só o que sei.
Passou a ser quase luta
esse tentar não sofrer
na dor da solidão
esse tentar lutar
com eu inferior
ou qualquer escuridão.
Nessa solidão me deparo com tantos eus.
São alguns eus que falam comigo em mim.
Ou só eu.


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