Não desligo.
A madrugada passou em passos curtos
Corpo caindo em tensão
Mole implorando sono
Olhos sem feixes
Cabeça sem sossego
Fecho os olhos e bichos
Bichos
E mais bichos
A infinidade de bichos que fui e sou
Lobos me puxando pela janela
Aves sobrevoando a morte
Fetos mastigando o gesto
Bichos cobrindo toda imagem daqui
Recordações da loucura criativa
A falta do amor
A saudade, a vontade
O laço firmemente amarrado em algum lugar do passado
Que talvez só eu veja
Que talvez só exista pra mim
A carência de um carinho que me nine
A recusa de amores que não sinto
Onde vou parar?
É possível parar?
Na voz doída sai um canto desconhecido
Dialeto de algum canto esquecido em mim
Tocaria violão
Comeria
Escreveria
Voltaria pra janela
Se meu corpo ao menos me deixasse levantar
Quanta desunião nesse ser
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