Capacidade de ser,
Viver.
Não passe aqui o sentido,
passe o fugir da razão que me consome, quer consumir cada pelo do meu corpo.
Cera da existência,
é preciso proteção, isso é vida que sai de mim,
movimenta conforme o vento, agrega-se ao meu corpo na mais perfeita harmonia,
e eu, na ignorância e falta de olhar, quero retirar-te.
Serás a emoção?
Serás o que a vida traz?
Serás a razão necessária?
Não sei, só sei que quero saber.
Do mais, nada adianta,
estou só, sou só,
comigo, sempre apenas meus pêlos, que voltam ao meu corpo mais rapidamente e incontrolavelmente.
Bolinhas sensíveis, nascimentos de tais fios.
Serás tu então a sensação?
Então me ajuda a sentir, quero mais pêlos, assim sendo.
Frio, sentir esse vento.
O que és tu, vento? Ar?
Louco amor, admirável mais que enlouquecedor,
misterioso,
sincero,
és também espaço?
Talvez em você esteja a vida,
o sentido,
o gozo,
o prazer,
o transcendente,
não cabem aqui, neste palpável,
mas cabem em ti, e tu levas para onde for,
mas leva,
tu és movimento,
o único acompanhante da vida.
Ar, movimento, espaço, sensação, venha para mim,
acorde meus pêlos que ousam sempre voltar.
Jamais seria isso ousadia,
pura necessidade,
gratidão aos pêlos,
ao ar,
à vida.
"É preciso proteção, isso é vida que sai de mim" é genial!!! Que existencialista, triste mas bonito, sólido mas leve, cinza mas flor, "tu és movimento,
ResponderExcluiro único acompanhante da vida" é bonito de chorar, querida... e a simplicidade de "gratidão aos pêlos,
ao ar,
à vida."
É toque de gênio. Um dos que mais gostei, pela sensibilidade e por ser tão inexato.