domingo, 17 de junho de 2012

Oceano de estradas

Alguns colares cobrirão meu trapézio que domina o peso das clavículas que se acomodam nos pequenos encaixes das escápulas.
Transições que tremem no tesão em mover-se, em nadarmos em nós mesmo.

Nosso corpo é um oceano de possibilidades.

Oceano das sensações, das emoções, movimentos que brilham na sintonia de ritmos variados.

Seu abraço fez retornar em mim a beleza da plateia,
o cheiro bom do aplauso
e o gosto da arte para o outro.

Teatro, dom de ligar-se.

Ligação entre nós e nós,
nós e os outros,
outros e outros
e nósoutros e o mundo, a existência.

O existir é grande.

Minha língua começa a mover-se impulsionada pelo psíquico poder da palavra sem sentido, sem significado e profundamente repleta de significante.

Os olhos machucados de uma pele branca fecham beijos carinhosos em ruas de Oficinas, 
bebemos o leite da cabra enquanto nossa roupa é tirada 
e a liberdade nos faz bichos humanos.
A verdade se aproxima dos nossos sexos, dos nosso viveres.

Questões da pureza embriagam o peso das mochilas que trazem no ombro amigo a desconfiança injustamente sexual.

Quadrados da ignorância molham o egoísmo vestido por ratos que não são hamsters e silêncios que não são epifanias.
O canto mal feito faz do silêncio um simulacro gasto.
As mãos que passam, a desconfiança que vem.

Só eu sou assim?
Ninguém enxerga que a vida é mais que a cobrança do sexo desconfiado e da entrega pré-decepção?

Carlos corpos que vibram na intensidade de uma Helena boiando em Antônios de corpos diferentes e sensações alheias semelhantes.
Sérgios molham o choro na força angustiante da pré-saudade, da abertura da gaiola de onde Zuleide caiu pela sombra psicológica do destino mitológico.
Sophia range a espiritualidade que cobre coxinhas da felicidade e palavras bonitas de uma alma sábia.
Lígia olha deixando as bolsas mal amadas e as restrições bem vistas.
Adriana confunde o viver com o brincar e dela transborda a beleza de viver, Adriana anjo que nos faz viver.
Nós, Isabellas pequenas que podem crescer aos olhos corporais e sentir o escaldante gosto de viver, de se aprofundar nos olhos e correr na escura estrada de uma busca sem fim.
Em cada pedágio, uma nova sabedoria pessoal que molha o auto-conhecimento na busca incessante de viver artesando,
caindo na arte
e jogando no infinito onde esvai a moralidade falsa dos homens que se acham o auge de inteligência, integridade e cidadania.
Não passam de hipócritas que afogam toda a sua vontade de vida que vem de dentro do corpo.
Criam convenções sujas todas apoiadas nas aparências baratas.
Deixem de comer a culpa!

Nos pelos de uma ingenuidade comprada, minha virgindade coça e sorri para seres estranhamente vivos, que possuem o milagroso poder de respirarem, e com isso, fazer do corpo, movimento.
Vida-pró que está anelada num bem querido, caminha para minha estrada sem fim.
Vou andando, pagando pedágios e querendo chegar. 
Chegar ali, no fim.
Fim que é um oceano de estradas sem fim.

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