domingo, 17 de junho de 2012

Trituradora do amor

Não imagino a forma de um avestruz sendo colocado a frente de uma personagem que brinca de ser esquilo
A fome de poesia faz as preocupações se isolarem e lamentarem sozinhas, uma para a outra, e finjo ignorá-las
Objetos fálicos atormentam as risadas de uma visita inesperada que carrega um bebê e a vontade de mudança
Nosso riso envergonha o aluguel de uma família

A porta se abre
Talvez seja ela, talvez não
Um filme vai passando para uma arte dramática tornar-se palpável
Mais uma vez outra porta é acesa e o não termina as frases

Alegrias de um ar profundo engole a possibilidade de angústia presa no profissional vago e superficial
Meu corpo ainda precisa dos mais raros ensinamentos
Um dia, entregarei ao outro a riqueza artística de viver assim

Para o seu pai, só existem duas mulheres: sua mãe e todas as outras
A fome de conexões faz a busca incessante ir para um outro caminho
Atrás de uma mulher sempre há o egoísmo da carência
Atrás de um gênero sexual sempre há uma pessoa
Que bom seria se víssemos isso, as pessoas, não os gêneros sexuais
Livres de preconceitos, livres de recalques...
Quanta beleza há no bissexual
Naquele que pode se apaixonar com o corpo heterossexual, mas restringe o afeto a pessoas
Restrição tão boa que há em mim
Afinal, beijamos pelo sabor
Nos relacionamos por amor
Traímos por sermos humanos
Brigamos por nos relacionarmos
Mas o cheiro do amor não pode ser submisso ao nojo da posse
Deixemos a propriedade em outro canto, pelo menos em relacionamentos.
Somos seres sedentos de dor, de amor, mas infelizmente, de posse.

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