sábado, 19 de maio de 2012

Grande passado

Mãos vermelhas apertam meu crânio esmagando qualquer vontade de manter os olhos abertos
Meus choros recaem em pedaços do cérebro
Choros doloridos que arrastam mãos em paredes de chuveiro
Minhas mãos arranham minha dor
Dor do possível arrependimento
Arrependimento que era adormecido
Dormia fingindo não existir
Mas sempre ali, aquecendo o sofrimento de um futuro próximo
Meus pés doem
Pés agora não mais flexíveis
Minhas pernas não chegam aos mínimos graus da beleza aberta
Minha barriga cresce
Meu aberto se fecha
Meus joelhos se fecham
Eu não sou mais a dança fluindo pelo corpo
Eu não sou mais a expressividade corporal que aqui dominava
A viva dança que acordava meus olhos
Aqui ando para trás
Com a conformidade calçando meus pés não mais repletos de bolhas
A oportunidade estava lá
A contemporaneidade estava lá
Poderia ter incorporado-a
Visto o teatro ali com a encantadora atriz-bailarina
Mas não
Eu não me permiti
Eu me suspendi
Eu me tirei do grande
Do grande dito sem fins lucrativos
Era o grande que dizia estar enraizado em acompanhamento total, psicológico e físico
E eis que a menina pisou no próprio físico, esmagando em seguida o psicológico tão fraco
Psicológico que aparenta força e coragem
Sim, é a coragem que está em cima de mim
Agir com o coração entra pelas minhas genitais e minto para mim mesma
Minto a intensidade
Agora minto para mim o que antes era tão verdadeiro
Eu joguei fora toda a grandeza da arte
E agora é o que mais quero
Agora não caminho
Apenas olho querendo pensar
Apenas penso e falo
E não faço nada
O que você está fazendo?
O que é você?
Você sou eu e somos a tão indizível busca por não sei o que

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