sábado, 30 de março de 2013

Busca - selvageria moída

A vida é um moinho, a natureza é selvagem
Mas ainda minha dor foi tamanha numa loucura
Que me abriu espaço para cura

A nossa radicalidade só pode nos levar à morte, queridos
A nossa impulsividade abre nossas entranhas para aids e batatas venenosas

Mas naquele dia dezoito,
Naquela semana de outubro,
A dor em mim me guiou à luz que ainda faz dos moinhos e da selvageria, apenas sombras

Meus sentidos, minha pele, minha sensibilidade
Recebiam toda a dor do mundo
Toda a angústia da cruel hostilidade
Eu não suportava tamanha mentira
A hipocrisia plantada, enraizada
Eu via a injustiça
Eu via o não ao prazer
Eu via tudo o que vinha para derrubar minha ingenuidade
Minha ingenuidade recebia todo o cimento dessa society que não sentiria minha falta
Chorei
Disse tchau
Me despedi de cada um, como se nunca mais fossemos nos encontrar
Em minha intuição um tanto quanto ignorante, ouvia a morte
Ouvia o nunca mais
Cantava com Cazuza, cantava que o mundo tritura meus sonhos tão mesquinhos
E era cedo, sim, eu mal comecei a conhecer a vida
Fui andando
Andei sem rumo
Andei pra onde minha profunda intuição guiava
Chorava
Sentia a vida se esvaindo
Sentia a dor da crueldade
Chorava e dizia
Cantava
Dizia tchau para desconhecidos que não são menos que eu mesma, que são todos nós
Em meio a um choro, à latência da angústia, vinha:

"Eu... Eu quero gravar esse momento. Porque eu não sei pra onde eu to indo.Eu não sei pra onde eu to indo na vida, eu não sei pra onde eu to indo na rua que eu to. Eu to pedindo nduahruoe eu queria morrer. Eu queria morrer porque... Porque a vida me dói. Mas eu gosto dessa dor. Mas pra expandir o amor. Eu queria morrer pra expandir o amor. Eu queria morrer pra uhifdmehuqonjhak. Eu duiwnwui que a gente uidhsdgys com o outro, que a gente nfioudhudsuekr. Eu sou tão ingênua. Eu não sei nada da vida e eu to falando tudo isso. Eu não sei nada da vida. Eu só sei que eu queria morrer. Eu queria morrer. Eu disse: tchau. Eu disse os tchaus mais lindos da minha vida. Eu disse tchau pra uma pessoa na rua, e tchau pra mais outra pessoa na rua, e mais um: tchau. E fuiejeu esse momento, tchau. Eu to dando tchau... Eu to dando tchau pra esse momento ou eu to dando tchau pra vida? Se eu estou dizendo tchau pra vida, eu estou dizendo um tchau oifdhsu. Um tchau com amor. Muito amor. Ndsuhduejmorte. Eu quero a sorte de um amor tranquilo.Amor tranquilo. Eu posso estar fazendo graça, eu posso estar exagerando, eu posso estar qualquer coisa, mas fuiewhfewgbewrhwprowehutrerl. Eu não sei. Eu não sei. Eu quero muito dsiuahuisd o que eu senti ontem, o que eu senti ontem... É isso. Eu só tenho vontade de viver, eu só tenho vontade de viver pra isso. Eu só tenho vontade de viver se for pra fazer arte. Eu só tenho vontade de viver ioajsfelkfeneuj pra ficar andando cheia de argila em cima de mim e uma venda no olho ufehwihuwe nduwhiew nufewuiewo eu só quero viver pra transbordar, pra transbordar qualquer que esteja no meu olho. Que essa coisa esteja molhada, molhada, molhada.Que esteja molhada por amor. Que esteja molhada. Que esteja molhada por vida. Que esteja molhada pela luz. Pela luz que é a vida. Ndusiashuasiiiii, aaaaaaa, fiouejrfewjeoi aaaa vida. A vida é muito linda. iudjiuehue a gente precisa sentir que a vida é linda, o que a gente tá fazendo com essa vida que é linda? foiedjfhiudhfigheiurhiuergh PRA QUE? Pra que? Pra que viver pra ganhar dinheiro? Pra que? A vida é tão linda... Deus... Deus, no melhor sentido possível. Deus no sentido que eu possa substituir a palavra deus pela palavra vida. Deus... Deus soiqjewuiqeeee essa sombra desse mura que tá na minha frente tava tapando a luz. fdeuiwhjeuithuer tchau!  - outra voz: "pra quem você disse tchau?" - pra você. "Por que?" "

E de toda aquela angústia, veio uma alegria tão sombria quanto
E ela, com toda aquela ingenuidade, falava com oficineiros e motoristas de caminhão
E dançou no viaduto
Rodava
Cantava
Começava a dizer tchau às pessoas dos carros que passavam
Jogava toda sua ingenuidade aos tantos carros paulistanos
Acenava aos oficineiros e motoristas de caminhão, agradecendo-os
E dançava
Chorava agora com sorrisos
E dizia saber o porque viver
Olhava o céu, olhava a cidade e pensava que vivia pra união com isso
Pra intervir, pra relacionar, pra performar 

Dessa sombra algumas horas se passaram
Veio balada
Veio distribuição de prazer
Veio suor advindo da alegria eufórica
Veio feminismo sem camiseta
Veio exasperação
Veio descontrole
Ela não cabia no próprio corpo
A energia era tanta que não sabia para onde ia
Ela não sabia ao menos ver e controlar tanta energia
Ela soltava
Ela ria
Ela pensava libertar
Mas só se aprisionava na libertinagem

Não demorou para vir um telefonema
E a ordem da família para a volta à cidade natal
E então que tudo o que pulsava era a fuga
Era dormir na rua
Era se desvencilhar da sociedade
Era desviar do moinho
Era a loucura

A vida para ela não era isso
Aquilo não era vida
Aquilo para ela não servia como ar pra qualquer respiro

Pensava aceitar empréstimo de amigo e fugir

Mas de amigos ainda vinham boas energias
E de Deus ainda veio alguma calmaria

O que não bastou

A dor persistia
A profunda incompreensão corroía cada gota de seu sangue
De nítido, era só o choro doído

E mais nítida, a necessidade de ajuda
Sentia-se doente
Extremamente doente
Sabia que a doença vinha dela e pra ela
Mas que dela não viria a cura, não somente dela
Era o chamado da lou(cura)

Ligou para aquele irmão, aquele amigo, aquele maior amor
Ligou pro sabiá
Implorava o budismo ou o espiritismo
Encontrou a psicologia
Mas queria mais, queria Deus

Foi o mesmo sabiá que mostrou o caminho do fogo espiritual
E foi lá que correu pra curar a loucura
Foi lá
E por passinho depois de passinho
Xamã te guia

Há meses, cantar o mundo é um moinho era tamanha dor em meu peito
Hoje sei, o mundo é um moinho
Mas sei mais, sei com todo o ser, sei com a fé
Sei que há para onde transcender
Sei que isso é apenas nosso caminhar
Sei que a radicalidade ficou lá atras
E que a busca pelo equilíbrio guia
Sei que nada mais me move do que a busca pela Verdade
E aquilo que dizia ser amor, sei que não é amor
E que para amor estou aos poucos costurando essa renda que é meu caminhar

Hoje ainda me afogo na confusão
Mas hoje acredito que há uma luz que faz projetar toda essa sombra


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