segunda-feira, 24 de junho de 2013

Bolha

Bola de ferro na garganta
que arranha, arranha, arranha.
Desce pro peito
e o que há de mais leve são lágrimas.
É tanto orgulho,
mas tanto.

Mãe, me ensina a amar?
Onde mora o amor mais puro e verdadeiro?
Me leve até lá.
Mãe, eu sei que vai doer,
mas rasga esse eu de mim,
destroça meu ego,
me faz vomitar essa bola de ferro.

O que aconteceu?
É o que ouço desses olhos no metrô.
Morreu alguém?
Perdeu o emprego?
Perdeu um amor?
Não,
só vi que nunca saí de mim,
só vi que estou cercada de mim
e sem sair do apego,
afogada no medo.

Mãe, me ajuda.
Me faz aceitar ajuda.
Ou eu buscarei na plateia todos esses ouvidos,
toda essa atenção,
todo esse amor?
Ou eu jogarei em um todo o peso de me cercar,
me amar,
me ouvir?

Mãe, me ensina a dar.
Mas dar de verdade.
Mãe, me ensina a ser mãe.
Mãe, me ensina a ter um filho.

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