Lililinda,
O que apreendi?
Liberar as quadradices.
Antes olhar pras quadradices.
O foco,
a importância do foco.
Puxando todo seu saco, aprendi aqui a te conhecer e fui levada,
levada,
levada.
Como aquelas folhas que você soltava.
Como o canto que de você saltava.
O rio levando.
Água suja.
Sentir toda a água suja entrando pelas narinas.
Ir e me deparar com a água suja
pra poder soltar as folhas das quadradices.
Pintar com seus exames,
pintar o poste,
pintar o tempo é arte,
vida é arte,
tempo e sei lá o que,
um violãozinho azul estampando os degraus da escola,
calando agora o que abre em mim com você.
E em mim como as vestes esporradas.
O rio.
O rio.
Voltar ao rio,
enterrar o peixe.
Lembrar da nossa imposição na natureza toda.
Pra poder voltar pra natureza toda.
Acordar para a natureza toda
que vai passando pela gente
sem que a percepção
capte e resgate.
A racionalidade ainda permeia.
Então deixa qualquer coisa dentro doida.
Doida e doída num simples caminhar por aí,
permear a cidade,
dialogar,
estar,
ser agido,
ser levado,
olhar,
olhar,
olhar,
derivar.
Ouvir pelo cheiro
Ver pelos ouvidos
Onde acorda o ouvido do cego?
Aliás, esse ouvido dorme?
Então vai,
só anda,
só anda.
Na chuva que agora caminha como rio sem leito,
rio que sai do mar do céu
e deságua nessas pedras da nossa ainda imposição.
O peixe morto ainda pula,
ainda pulsa.
Marina olha
E o pensamento confunde
num celular que toca,
numa boca que toca.
Chega como luva
sua palavra de intenção
do primeiro dia.
Luva em minha busca.
Você em pézinha
perto da barra,
apoiada na barra
falando em cura,
com um vestidão,
e um sorrisinho.
Beth: cura?
Sorrisinho.
É, cura.
Sorrisinho,
sorrisinho,
sorrisinho.
Cala a memória pra ouvir alguma história de bicho.
E faço pra quem?
Pra quem me acompanha?
Pra quem tá aí na rua?
Pra que só passa?
É teatro, é performance?
Tem dramaturgia?
Tem regurgitofagia?
Tem algum som?
Tem algum tom?
Só não tem algum chão.
Mas foco.
Mais foco.
Foco na questão.
Qual é a pergunta?
O que move?
Um move.
É vida?
É arte?
É vidarte.
Vão pichando por aí
ou vão grafitando por aí.
Veem até aqui e não deixo de perceber ali.
Lá onde nada tem.
Lá,
aqui,
aqui onde nada tem.
O que existe é só existir.
Apenas.
E tudo vai passando,
só passando.
Mas algo puxa os olhos pro grafite.
E lembro que há dor.
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