A incessante falta de saber viver comigo perturba e cansa meus dias
Das tripas volta a falta de sangue para uma compreensão por números belos e tão hipócritas
De hipocrisia é que essa porra toda é feita
No lugar do amor, alagam de hipocrisia as ruas das relações, as ruas das opiniões, as ruas dos seres
E que esteja viva pelo menos a minha vontade de viver
E eu quero que morra essa falta de nada e falta de tudo
Essa falta de nem sei o que
Essa solidão que corre atrás de mim com tanta sede,
e eu sacio-a, sempre, interminavelmente
Uma falta, uma carência, um olhar vago,
faltam até palavras
falta conhecimento
falta saber desse mundo
das coisas do mundo
dos porquês do mundo
das aceitações do mundo - que conhecer se diferencie de aceitar
das mentes brilhantes
falta tanta coisa,
falta tempo de vida talvez
sou tão pequena,
e por favor, não se refira ao meu tamanho,
se refira ao meu eu
ao meu conhecimento
ao que sou
à minha relação comigo mesma
Como um ponto que até pode trazer consigo alguma bomba prestes a explodir, mas tal explosão necessita de muito mais para que venha a ser efetiva, que venha a ser marcante, que venha a ser verdadeiramente viva
De repetições somos feitos,
mas de repetições eu sou farta,
estou prestes a vomitar esse museu de grandes novidades que aparece dentro de mim mesma, que aparece nos meus sentimentos, na minha mente, no meu corpo todo
Como será não existir?
Ouvi que essa nossa loucura é nada mais que a vontade e busca pela vida, por tudo o que está aí, é a vontade de engolir esse mundo, de mal mastigar, mas sentir o gosto, de gozar comendo, de nada mais que sentir, experimentar, comer, comer, comer.
Acredito que seja.
Meu desejo de suicídio é isso, somente isso, nada mais que isso, é vontade de sentir
E sentir morrendo?
Sim, sentir morrendo
Não tenho medo da minha morte
E nem da vida, se esta ousar tornar-se insuportável, eu chamo uma janela bem alta, grito e sinto o ar passando pelo meu corpo, voo, vivo no auge, no êxtase, para somente morrer.
Ah como sou sozinha,
e o acompanhamento de uma voz me faz bem, uma voz exagerada, ideológica ou de boas novas, uma voz que transforma o tédio em poesia, uma voz, somente sua voz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário