Alguma coisa sempre acontece no meu coração ao cruzar ali com aqui, agora que existe a sua mais completa tradução, a cidade diz quem sou eu ao pé dos ouvidos e discussões, num momento tão cabível, a tradução me chama de
ovelha negra da família
Mas como sinto certa pena
Como amo ser a ovelha negra
Como amo ser assim tão diferentes, diferente dessa medo de viver, diferente dessa vergonha de mostrar o interior, diferente do incômodo por cantorias, diferente das vozes baixas, das camisas passadas, dos eus escondidos, das palavras medidas, dos nervosismos transbordados se opondo às suas roupas tão repletas de status, de linda aparência, de futilidade, e surge então a contradição...
Ouço do mesmo sangue palavras que me julgam sem personalidade
Sem personalidade por mudar tanto, por me transformar em cada lugar que passo, que vivo, que absorvo o ar
Vida é mudança
Eu vivo, eu mudo, eu me transformo
Sinto pena por sua personalidade ser assim tão forte, e assim tão fechada ao novo, tão intransigente
Sinto pena dessa pequena tão rica interiormente estar sendo tomada pelo desejo de riqueza exterior exacerbada, de luxos e lisos
Sinto pena dessa vergonha de se expor
Sinto pena até de mim mesma por estar assim sentindo tanta pena de meu sangue
E principalmente de mim, por julgar a pretice da ovelha como boa
E maior que isso, o meu amor
Minha saudade
Uma saudade que existindo, é tão boa
Que sobressai o convívio na escola das boas sensações
Mais calma, mais amor, mais demonstração de amor, mais paciência, menos vergonha, mais abertura de pensamento, menos julgamentos, menos repressões, mais sorrisos, menos ostentação,
desejo do fundo do meu eu,
desejo do meu sangue para o meu sangue fora de mim, o que vive e corre aí, em vocês,
desejo do fundo do meu eu,
desejo do meu sangue para o meu sangue fora de mim, o que vive e corre aí, em vocês,
ovelhas brancas...
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