Caminho lentamente nos olhos dos deuses mais sutis.
Ao queixo que se levanta quando o elogio pulsa, minhas letras vão se fazendo sem qualquer sentido.
Estou toda de branco esperando os perigos dessa vida.
Estou deixando pedaços do meu suor para o meu próprio leão.
Minha luz não sabe ainda carregar o prazer.
Gostaria de olhar nos lábios de Aline e beijar os olhos de Débora,
como se quase as amasse por tabela.
Como se eu não fosse apenas outra, mas um apêndice do amor.
Sou tão linda que só espalho sofrimento e tão cheia de pudor que vivo nua.
Me despiria lentamente a elas, beijaria seus joelhos e lamberia seus mamilos como se fosse eles.
Me faria homem para, numa hipocrisia tamanha, desculpá-las por qualquer falta de amor.
Estou só,
só e com as mãos tateando o escuro em busca de prazer.
Irei apenas onde a vida estiver me esperando com olhos lacrimejantes.
Essa noite sonhei com você, com seu cavanhaque roçando algum pedaço de minha alma.
Com pedaços de chuva seca, um buraco se faz no abismo do seu peito.
Vem cá, que tá me dando vontade de chorar.
Passearei pela língua de Marcelo Camelo sentindo o gosto bom de ser sensível.
Sua saliva impregnada de solidão, seu timbre doce, sozinho...
Meu amor valeria a pena apenas a algum passarinho que pousasse suas costas em meu ombro direito.
Meu coração já se cansou de falsidade.
Embrulharei minhas lágrimas e sorrisos para presentear qualquer instante presente.
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