domingo, 18 de novembro de 2012

Eu não vou me adaptar

Aqui onde meu sangue corre é onde não posso ser eu
Aqui onde há tanto amor é onde devo fechar minhas pernas e fingir ser recatada
Aqui onde me sinto acorrentada é onde devo fingir que sou uma doce menina
Aqui onde eu não aguento esconder o que sou
Aqui onde meu corpo dói por não poder ser ele
Aqui onde querem colocar vergonha no que eu tenho de mais belo

Custaria muito perceber que meu desapego é o que tenho de mais bonito
Que minha pureza está nas minhas pernas abertas e meus peitos à mostra
Que meu amor é irrestrito a um único gênero sexual
Que meu amor é irrestrito a um único ser
Que meu amor eu nem sei onde se encontra

A dor do desencaixe

Ser normal é dolorido

Aqui onde há tanto conforto físico
Aqui onde as paisagens são das mais belas
Aqui onde um condomínio fechado de casas cheira tranquilidade

Aqui onde isso tudo é somente superficial
Somente visível a olho nu  vestido

No invisível se esconde tamanha hipocrisia
Dentro de mim toda essa mentira é expandida

ONDE ESTÃO OS CORPOS?
ONDE ESTÃO OS HUMANOS ANIMAIS?
ONDE ESTÃO AS GENITAIS?
ONDE ESTÁ A VERDADE?

Estão escondidos por de baixo dos bons costumes.
Fale baixo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário