sábado, 6 de outubro de 2012

A nós


Veja você aí, Isabella
Aí onde não há mais ninguém
Aí onde só existem você e seus olhos
Seus olhos que lacrimejam
Seu sorriso que colore pequenas lágrimas
Veja seus pés que imploram por movimento
Veja sua frustração
Veja sua inutilidade
Apalpe sua fé
Apalpe seu passado
Aperte seus olhos ao lembrar-se da família de ovelhas brancas
Aqui só existe você e um café
Aqui você descansa os olhos escrevendo versos nostálgicos
Você banha sua vida numa grande improdutividade da qual se orgulha
Você vive o orgulho da sensibilidade
Você muda
Você vai andando e transformando
Ou apenas para em você mesma.
Você escreve poesia a você mesma.
Seu egoísmo está te corroendo.
O sabor dos seus olhos serve de composições a Thiago
O cheiro do seu sorriso serve de escrita a Paulo
Seu dormir em lua serve de versos a Outro
E aí vai você descendo ao abismo
E aí nos vejo circulando pelo moinho
Ouço-nos vendo Cartola
Escuto-nos sentindo Cazuza
Preste atenção, querida, continue a andar na vida, continue cavando seu abismo, mas nunca, nunca pare de dançar.
Nunca adormeça em si seu movimento.
Nunca deixe seu corpo te acorrentar.
Suas inevitáveis correntes de pele, osso e carne um dia cairão
E quando esse dia chegar, sua alma verá o outro lado do amor.
Seu corpo não mais reduzirá suas ilusões
Sua realidade nem mais existirá
Aí sim você verá a fuga da vida
Aí sim você sairá do seu caminho de fogo

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