Lhasa dança com
lágrimas em meus pulsos
Alcanço Pina com a
ponta dos dedos dos pés
Meus pés cimentados
por onde não passam ilusões
Por onde o que vibra é
somente o desejo
Ali só cabe a
iminência
O tremor das pregas
vocais não mais produz sons
Qualquer som é
empredrado nas minhas lágrimas moles
Em cortes de pedreiro,
meu peito é cada vez mais acorrentado
Sou maior que meu corpo
A adoração ao corpo é
também o aprisionameto do corpo
Eu tento
Mas eu só tento
A epiderme de pedra das
minhas tibias faz pontiagudos cortes na minha alma
Eu não caibo em mim
O aprisionamento do
cimento
Então viro a
especulação imobiliária
Então viro dinheiro
Então toda a minha
potência de vida passa a ser apenas dinheiro
E o meu amor fica no
grito que não consegue sair de mim
Minhas vontades
endurecem como cimento em mim
Quantas demolições
serão necessárias para eu existir?
Quantos desconstrutores
de cimento serão necessários para eu me mover?
Quantos banhos serão
necessários para que me deixem ser?
Água
Apenas água
Apenas me afogar na
liberdade
Apenas me aprisionar na
liberdade
Enquanto minha alma
ainda é pedra
Então me afogo em água
de pedra, em pedra de água
Então sou misturas
Misturas da minha dança
que me mata
Até ali vou querer
apenas seus olhos
Até ali ainda minhas
lágrimas serão maiores que qualquer cimento
Me traga olhos molhados
para que eu amoleça qualquer pedra
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