Interrompo leituras para fazer palavras dos sons de Nelson
Freire
As pulsações de escritórios cobrem os cantos recheados por
tintas vermelhas
Num caminho de puro desconforto, grito por pianos que
relincham agudas vestimentas
Não mais haveriam pontos nas locações cinematográficas
As confusões se fariam cada vez mais absurdas
As árvores seriam cor de mel e os rios roxos
As putas seriam
saudadas com uma xícara de café
As boas moças caretas se debruçariam em taças de vinho
Os machistas dos bares enfiariam dedos no cu
Os homossexuais pintariam o céu com o umbigo
E restaria ali, num canto qualquer, nada mais que a
incerteza
As cobertas da
iluminação saltariam de mesa em mesa
As risadas jorrariam fones de ouvido
A limpeza seria pintada dum preto quase bege
Minha mãe pediria que
eu berrasse poesias pela cidade
Meu pai pediria vinho
a cada ligação
E Dionísio iria me chamar com uma voz rouca
Na liberdade da
fantasia um símbolo iria se fazendo forte
E dinheiro teria o mesmo valor da culpa
E a blusa branca seria como uma dor lavada
E, as rugas no tecido, pequenos caminhos de se escrever
dores novas
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