quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Apenas danço

Numa grama trêmula, nossos ossos eram amarelos
Seu psicologismo ainda olha com gotas de mágoa a pureza de um inferno
A hipocrisia das costelas amortecem nossos músculos
Sua família vai caindo enquanto meu fígado vai sendo apertado por uma mão cinza
A atitude triste de uma mão que corrói anjos pelas vestes pretas
Nas intuições, eu sempre soube de qualquer traição
Liguei meu corpo a uma dieta de chá verdes
Meu passado ainda me cobre como uma luva cirúrgica
Minhas pernas ainda doem
Meu ossos ainda corroem
A boca cheia de batom olha celulares de traição
As preocupações são brandas
Meu olhar é estacionado
O pior de um colar é o feixe
O melhor de um olhar é o sorriso
Ilusões
Pobres clarões
A maldade ainda é o caminho da ignorância
Digo sem saber
Ando sem querer
Quero sem poder
Posso sem amar
Amo sem pudor

Drogas dos carros de fumaças pretas

Meus dentes piscam goelas e bolhas

Há sacos de sangue no olhar

Jovens brandos e calmos fazem sexo

Preciso chorar

Preciso cuspir

Nunca serei um casal

Sempre correrei pelas plumas da solidão

E escondida, eu precisarei apenas dançar

Dançar

Dançar pelo chão, escorregar o corpo pela bebida

Danço com meu coração pulsando, abraçado pelos meus braços finos

Danço e molho

Danço

Apenas danço

E não sei mais para onde e nem a razão das minhas lágrimas

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