terça-feira, 27 de março de 2012

futuro do seu pretérito

Carros atropelam as bandeiras cortinadas de uma máscara infinita
o jogo da sedução adormece em olhos atormentados pela bebida
a manga de um coqueiro nunca mais será roxa como o caqui brotando das parreiras
seus olhos não irão brotar mais as pegadas que mandam as costas para o sorridente sonho
os pés irão passar por bambus e jogar toda a tensão pra uma janela barulhenta
os jogos irão pular pelos ônibus cuspindo fogo e jogando vento
a janela nunca mais intentará um simples sono naqueles que choram amarelo
as portas abrirão depois de longas tentativas frustradas
assim abertas, farão as lágrimas tornarem-se vermelhas azuladas
um sangue irá subir para a cabeça quando o amor morrer pelos braços fortes
os seios irão murchar quando a preguiça chegar nos seus olhos claros
o mel irá cair pelas pernas enquanto uma ligação pede para irmos embora
e os órgãos genitais nunca mais serão os mesmos
nossas bocas nunca mais irão tocar-se
e você cairá num moinho
e eu caminharei rumo ao mesmo moinho
não
eu seguirei outro caminho
não me deixarei servir dos ódios e amores do dinheiro
não me acolherei pelos sucos da comodidade
não me casarei fugindo do voo
não transarei os laços vermelhos que se tornarão rosa desbotado

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