sábado, 31 de março de 2012

zebra

Eu quero te guardar com todo o meu carinho
Te colocar numa caixa de vidro tão doce quanto as nossas palavras jogadas uma para a outra
Um jogo de mãos que puxam os corpos para baixo quando precisam elevar-se
do fundo podemos juntas levantar
Claras ondas dos seus olhares compreensivos
Perturbada maré dos seus anseios
A você, jovem poetisa, darei uma carta de Rilke
Para que nossa atormentada solidão se transforme em arte
Ou para que nossa arte ganhe bocas que rolem as palavras, olhos que moldem expressões e corpos que pulsem o dom de viver
Vamos unir nossas mãos carregando uma passarela vermelha de desejos desamparados, de infelicidades completas
Vamos colocar calças originais nos seus braços,
vamos nos pintar de preto e branco ou de roxo,
pigando mostardas no nariz substituto da sensação perdida

Sua mente doida tão encatadora traz a possibilidade dos beijos triplos da mais sincera amizade
Da amizade de vidas passadas
Da amizade enriquecida
Sua língua traz a possibilidade das japonesas enfiadas nos órgãos genitais
Seu talento chora nos pianos da sensibilidade tão bonita e sincera
Sensibilidade sua, zebra tão amada.

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