Surgirão os dias em que o sentido nascerá da terra caminhando ao céu
São sujas as suas mãos e seus olhos
São sujas as suas palavras
São limpos os meus desprezíveis atos
Meu desprezo tão insensível, tão verdadeiro
As pernas estão presas ainda
E jamais se desprenderão
Ainda estão lá
Ainda choram de saudade
Ainda gritam de vontade
Ainda se chocam, uma com a outra, tentando se desprender
Mas amando estarem presas
Contradições do acaso
Bolhas de sabão são engolidas por essas bocas egoístas
E a sede do prazer é cuspida por minha boca amante
Não quero nada que não venha de dentro, que não venha intenso, que não venha como as correntes das minhas pernas
Porém preciso do desprendimento tão utópico
Utopia da paixão
Utopia repleta de solidão
Eu espero que chova em minha cabeça e a realidade é aquela que me grita que ainda sentirei o toque das amarras
Por que é tão difícil te esquecer?
Me acostumo com meus abraços e aguardo a verdade de um outro, a verdade recíproca.
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