Seu cheiro agora cobre as vestes destemidas que foram jogadas pelos cantos
Os esquecimentos molhados em saudade trazem a nova sensação fria e boa
Os dedos são dominados pela razão pobre
Sentimentos envolvidos em simples amizade sem mil caixas onde se guarda o platônico amor
Não vejo os pelos que cobrirão seu rosto
Mas coloco o rosto nas meras convenções e provocações
Meus sonhos trazem ciúmes
Meu apego me cobre numa concha burguesa
A apatia do ser medroso
Do ser orgulhoso
Ser que não se olha no espelho sensorial, espelho do prazer, espelho do amor, espelho da dor
E agora eu fecho suas asas, ainda com os pensamentos presos no desejo de desapego
E agora, refeita, quero que me olhe
Quero que consiga sair da sua mentirosa existência
Quanta superioridade do meu pobre ser dotado de julgamentos
Talvez você não suporte entender que já não é mais o mesmo
Que já não produz respirações ofegantes
Não perco os dias aguardando você
Mas ainda agarro com uma força tremendamente carinhosa o olhar simples e criativo
O olhar que jorra água nos meus
O olhar que é encharcado de grama
Molhado na dor gostosa e plastificada
Eu preciso de mãos que me acariciem
Preciso de cabeças para morar nas minhas vontades
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