segunda-feira, 2 de abril de 2012

noia da fome

As costelas se rasgam enquanto espirro 
Jogo o meu paladar nas mãos azuis do seu carinho
Acolho com risadas os objetos perecíveis
Amanheço com o cheiro de cebola enfiado nas unhas
Corto o cacto com os dentes afiados
Subo numa árvore acolhendo a infância reprimida
Sorrio com a sinceridade de um peito respirado
Lágrimas saem lentamente enquanto ouço o violoncelo dessa bela expressiva
No escuro viajamos pelas cordas da sensibilidade
Minhas costas dançam à medida que a música se acalma
Meus movimentos sutis respiratórios transitam entre lágrimas e sorrisos
Seus pianos se escondem por de baixo das pernas de cobras e críticas
Os estudos descobrem a garganta do beijo sincero
A sinceridade busca meu desejo
A solidão transita entre mim e eu
Deito no escuro e chupo-o
O escuro é tudo o que tenho 
Baixos tons chocam os clarinetes
As cadeiras de um amor nunca terão a força de um abraço tão simples, tão morto
A graça das nádegas aparecidas sob calças arrombadas

Nenhum comentário:

Postar um comentário