Minhas pernas são acomodadas nas almofadas dos seus dedos que, dotado de ímpeto, aparecem cheirando timidez
A idiotice da jovem atriz dorme nos ombros largos e belos, ressaltando a clavícula beijada
As escápulas se acomodam em bolas que tiram os nós doloridos da tensão reverberada
A solidão passa a substituir os garfos do pensamento questionador
Meus olhos te buscam nas nuvens que trocam de sexo
Quais desejos serão permanentes na sombra da paixão?
As tentações são agora acorrentadas pelos espirros
Uma luz branca te coloca nos meus lábios lentamente
Sinto o cheiro da sua respiração quente
Acomodo meus órgãos mais valorizados com os teus
Amasso as moralidades encharcando-as com água limpa
Passo os olhos nos cabelos curtos unidos, pelas bocas, à pele barbada
Arranco de mim o ego para acomodar-me no vão da solidão
Perco os grampos da agonia e jogo ao alto os fios sujos
As peles cheiram o contato
Cheiram o suor
Cheiram o mar
Cheiram o sexo
Seus olhos me chamam e jogam um mistério indecifrável nas vestes coloridas
Sua calma me acomoda em braços que cheiram azul
A saudade permanece atenta à sensibilidade e solidão
O reaparecimento azul-pavão acalma minha agonia
A existência passa a ficar construída
Os tijolos da sensibilidade passam a ser deixados para baixo, segurando toda e qualquer obra
Meu cheiro aparece nas suas palavras de cafajeste
Seus olhos se direcionam ao produto do meu eu
Sua vida permeada por produtos
Seu capital prevalecendo o caminho das suas mãos
Provavelmente exista um pingo pelo menos de corpo sem merda
Corpo sensível
Corpo que me vê amorosamente
Corpo que sente saudade dos meus olhos além do meu cheiro
Este corpo talvez não exista
Talvez seja coisa de anos passados
Agora o que te resta é um filho, para que toda a merda se acumule neste seu ser todo moído
Apesar de toda a angústia, toda a falta e solidão,
Sua existência permanente em mim faz com que aqui não prevaleçam sentimentos cobertos de ilusão
Sentimentos que me prenderão e mais uma vez farão o corpo arder pelas lágrimas escorridas.
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