domingo, 8 de julho de 2012

Fritz vermelho

Como é lindo o Fritz Dobbert da rodoviária Tietê, 
exalando sons belos, 
tons com sabores que vão chegando num lugar onde só olhos podem transparecer.

E olhos que se estendem por todo o corpo, 
fazendo da matéria a expressão das peles unidas a ossos gaseificados amolecidos pelos músculos fortes e porosos.

De vermelho o som vai sendo finalizado 
e nos olhamos como se eu implorasse mais sensações vindas pelas suas mãos que fazem sons agudos e tão belos quanto o laranja do céu.

A chave da clavícula vai sendo lançada e vou me lembrando dessa minha alma dada, 
alma de puta.

As putas sim são felizes, são obedientes a si mesmas.

Putas, 
não prostitutas.

As putas ignoram as belas morais para ouvir seus desejos, 
ignoram a reprovação para engolir o gozo,
ignoram a eterna solidão para incorporarem cada um a cada momento.

Barbas que me olhando lançando Béla Bártok estudada com afinco.

Vão sendo cantados aplausos doces que choram por ouvir Cazuza deliciando o interior do mundo, 
o mundo moinho. 
Ah Cazuza...
Respeito à sua dita vida toda errada, ao seu êxtase, ao seu sabor doado aqui e ali.
Poeta do amor, homem da dor, ser da arte, ser da vida.

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