No apartamento vão engolindo as esperanças de que sempre haja alguém que faça por nós.
O chão sujo vai recebendo as cores da poeira e a textura da sujeira.
Meus olhos vão cheirando minha mão, vou me embriagando de mim mesma.
Mas já não há o que nos faça fechar os olhos engolindo tranquilidade.
E o que é que a vida vai fazer de nós?
Ninguém é capaz de me amar verdadeiramente.
Ninguém passa dos meros dias de pontos iniciais da paixão,
e se passam, vão caminhando rumo à traição.
Então fico,
sempre esperando uma volta,
uma palavra,
um beijo.
Ninguém é capaz de aguentar meus anseios,meus jeitos,
meus colos,
minhas carências,
meus surtos,
meus desejos,
minhas ignorâncias,
meus eus.
Mais um que joga um vidro enquanto avanço com olhos envoltos em braços e abraços.
Já me esqueci de me esquecer.
Vou ouvindo os trabalhadores lá de baixo
e vou carregando a vontade de um nada,
uma praça,
uma mão,
uns olhos
e muitas bocas.
Vou indo querendo gente, molhando corpos e desejando dizer o que nem mesmo eu sei colocar na imensidão das palavras.
Vou querendo profundidade, e não saio da superfície.
Nenhum comentário:
Postar um comentário