domingo, 2 de setembro de 2012

Família sem janela


Onde se encontra o amor de uma família?
Nas discussões sem sentido,
nas entonações estressantes,
nos mandamentos,
nos julgamentos,
nas submissões,
nas televisões,
apenas nas televisões.
Matam qualquer demonstração de amor porque precisam assistir a televisão,
apenas a televisão.
A casa está repleta de janelas altas, janelas belas que avistam paisagens, riquezas e céus tão belos quanto nossos olhos,
apenas nosso s olhos,
ainda os olhos guardam a nossa beleza.
As janelas estão ali, e sempre fechadas.
É como termos olhos e visão perfeitos e deixa-los fechados,
sempre buscando algo na escuridão,
apenas na televisão.
Sim, a televisão realmente matou a janela.
E nessa casa a morte da janela traz a morte da tranquilidade e de demonstrações de amor.
Por que vivem, por que vivemos?
Eu me sinto tão fora dessa casa, dessa família...
Ainda sinto algumas buscas de compreensões vindas do paterno, mas ele está sozinho nessa busca por alguma janela aberta.
Mas o abraço está dependente,
depende do modelo consumido de beleza que motiva sua vida.
Não consigo achar graça das risadas, quando riem, quando deixam ao lado os gritos e nervosismos baratos, eu sou quem não consegue sair de um interior triste e é impossível rir junto.
Qual a vida disso? Será que nunca verão poesia na vida?
Será que nunca olharão o céu e valorizarão a lua cheia?
Ah, eu só tenho a piedade para pedir aqui...
Pra essa gente careta e covarde que corre no meu sangue, que corre em multidões de vida, que corre, tudo corre, tudo corre ao encontro de simulacros, de vazios pobres.
Mas não diga nada, afinal, o que pensarão de nós?
A nossa vida é dos outros aliás...
Apenas a opinião deles nos faz viver, o que nos move é a opinião alheia.
Sempre assim o caminho das vozes estressantes da minha família.

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