Voltaria dessas noites em festa pelo resto da vida
Assovio ao asfalto e jogo ar nas molduras dos corpos
Sinais de trânsito me atravessam sem piedade
Círculos vermelhos interrompem o fluxo
Não haveria outra maneira de embebedar a cidade de madrugada
Apenas riscando sangue em nossos dedos e joelhos dos corpos jogados e beijados na rua
Sua cabeça se inclina no horizonte
Seus olhos cruzam luas
E você já sabia todos os caminhos antes mesmo de conhecê-los
Fechei os olhos enquanto a boca se abria ao caminhar nos impulsos azuis da sua barba
Pequena camponesa que atravessa a floresta
Colando sambistas deslocados pela tecnologia
As fontes se revelam sobre o ventre
As danças voam nas costelas
Quando uma harpa sustenta a tarde com a precisão do corte
E as cordas da plebe arrebentam com cheiro de hortelã
Os lábios renascem de madrugada no exato minuto em que o bem-te-vi dá as mãos ao tigre de bengala.
(Isabella Dragão & Paulo Sposati Ortiz)
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