domingo, 19 de agosto de 2012

Desaniversário

Eu canto pedindo sabor
Olho nos olhos de desconhecidos
Minha voz treme na rouquidão
Fumo deitada em malas que se chocam

Vivo ao sabor do acaso
Pego ônibus com destinos desconhecidos
Ando nas marés dos morros até bares desconhecidos

Vou imaginando um amor à semelhança
Imagino nossa força unida, nossa energia colada
Seus cabelos trazem a vontade de algum toque meu

Uni cervejas a diversões
Colhi sonhos das plantações

Preciso do alguém junto a mim
Preciso da paixão contínua
Preciso deixar de ser só eu
Preciso descascar minha espontaneidade
Preciso desafogar meus anseios
Preciso sair daqui, não sou daqui

Sou a recusa do sexo vazio
Sou a recusa do amor sem dor
Sou a recusa da falta de olhos nos olhos
Sou olhos boiando em silêncios indecifráveis
Seus mistérios agora farão de minha face apenas choro
Eu sempre esperei

Volta a doer o corpo que chora de vontade de amor
O corpo que faz dos toques, saudades
Meu choro alto, minha angústia nada rasa
A garganta vibra buscando abraços
Poderia ter ido para a rua abraçar um alguém
Saído da casca triste que move nossa madrugada


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