terça-feira, 28 de agosto de 2012

Tarde perdida

Enquanto poderia ventar nas pesquisas históricas e teatrais, organizar o pensamento, as cartas e as planilhas,
perco e ganho as horas de bonsai.
Em pesquisas e jogos libertos ou intervencionistas, eu calo meus anseios
Calo por jogá-los pra fora, exteriorizar no meu corpo e agudizar com a minha voz.
Um vento ensolarado carece em minhas costas
Meu útero chuta sangue
Impaciências sugam meu sorriso

Mas ainda há bonsais que me erguem ou pisam ainda mais
A existência ainda é breve
Os amores são corruptos
As dores são emaranhadas no suor
O suor que pode nem existir
Sua calma é recordada a cada olhar interior
Sua lerdeza e sua falta de intensidade
Ainda estou na estrada que não vê algo mais que a solidão

Abraço a carência e beijo vazios
Negros elogios chegam em televisões
Mas não me atraem
Barbas belas me atraem
Barbas enroscadas em olhares que miram e não veem
Recordo-me do seu sorriso e fantasio algo platônico
Enquanto você não me vê, eu abraço suas costas bem formadas que fazem leituras na porta do teatro

Eu vivo de invenções

Ou vivo das respostas a intensos desejos, simples desejos traidores
Depois me resta apenas o "muito obrigado"
Tão seco quanto minha unha que logo será cortada
Unha que não vê a pele que há pouco habitava
Habitava colada, molhada e apaixonada
Mas eu não corto, unhas vão sem ver as peles
Crescerão sempre enquanto eu não quero me desfazer do que foi de fato o mais intenso
Pavões não merecem lembranças
Camaleões não merecem intensidades
Será que algo um dia merecerá meu bonsai?
Ainda existe a força companheira, uma força amiga que eu amo e esta sim merece bonsais

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