sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sem promessas

Pra quem não sabe o que cobre um peito engasgado e coberto de choro, 
eu peço piedade, 
me coloco num lugar medíocre, 
abaixo meu ser amando e fingindo amar.
Apavoro meu peito com a dor pequena de um bebê que chora preto as unhas do rancor.
O que somos nesse emaranhado de loucura, 
nesse cotidiano tão normal?
Dentro de mim está tudo maior e mais movimentado que minha simples existência.
Nunca acordarei com beijo de namorado ou pódio de chegada.
Então por que continuo fantasiando minha própria existência?
Já não é lixo o que permanece colado em mim?
Já não sou uma existência pobre chorando invenções?
Cala o meu peito e fala minha genital, meu sangue é absorvido enquanto o choro é corrosivo. 
Minhas letras estão afundadas na escuridão escondida da busca.
E o que sou?
O  mar de vozes coloridas chocando meus cabelos masculinos.
Minha guerra dos sexos é tão crua.
Minha saudade é tão nua.
Aprender com a vida ou com a poesia?
Ainda prefiro a poesia o choro, o pulsar e o escorrer. 
Vou escorrendo.
Escorro pelos dedos da moral tão impregnada.
Escorro pela paixão e simples utilização de mim mesma.
Não olho para outros amores, mas meu peito ainda pula e vibra cheirando o gosto amargo e nojento das convicções e crenças tão bem construídas.
Será demais existir?
Será medíocre existir?
Prefiro estar onde meu peito pula e a realidade não o deixa sair.
Prefiro o lugar pulsante da angústia. 
Assim eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesma.

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