quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O jardim

Nossos ouvidos não passam de telefonemas pequenos que dizem tudo bem para tudo
A nostalgia da presença vai nos engolindo até a dor fazer tremer os olhos
Os peitos vão engolindo mãos que atormentam o ser paterno
Haverá um dia em que a morte engolirá o movimento
Mas nunca o amor
O ser paterno é sincero, escondido, frio ali, porém repleto de amor aqui
O ser paterno é dor, é amor, é choro, é perda, é saudade
O ser paterno é lacuna, é incógnita, é escondido

O jardim é sugado pelo medo da voz alta
Fotografias revelam os gritos do amor
Idosos carecem de movimento e mulher
Atrizes longes
Atrizes não presentes ao pais
Atrizes desgostosas aos pais
Atrizes correndo atrás do amor deixando para trás o amor

Beijos forçados apertam mãos que se desdobram em danças ritmadas
Gritos ofegantes jogam caixas que soltam bexigas enquanto a memória chora pequena e dolorida
Fotos exibem a solidão
Cores transportam o verde à mudança
Caixas deixadas como casas em rios de alma doce
Peitos claros mofando como relógios a dor do futuro lembrado

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