quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Grito

A liberdade é pequena.
Gaiolas nos prendem até termos vergonha de quem nós somos.
O sopro de vida que pulsa nas nossas genitais não pode ser sufocado e escondido.
Vou arrombando portas e mostrando quem realmente sou, 
a dor e a delícia de ser o que é.

Fácil é aceitar meu eu, minhas ideias, gostos e pensamentos, 
escancará-los escondendo os olhos, 
fechando e cobrindo com véus o rosto da verdade.
Basta que o verdadeiro seja escondido e fingido.

Eu e nós precisamos pulsar verdade, 
despudorar olhos e ouvidos, 
amar por amor, 
não por reputação e aparência de boa moça.

Amor é pra quem ama.

Nosso sangue carrega amor, por que sufocá-lo como se amor fosse restrito?
Romper as restrições do amor ao que está aqui, 
o amor à família, 
infinito amor à família que não cabe em suas ideologias e olhares.
Sou a gota do desgosto, 
mas sou o que explode em mim.
Sou a cara no lixo, a frustração e o telefonema silencioso transportando mensagens performáticas.

Não basta ser. 
É preciso jogar longe o que possa esconder e mascarar o ser.

Coloquemos amor nos olhos para quem anda na rua, 
sorrisos e bons dias a senhoras desconhecidas.
Coloquemos poesia na vida, falemos poesia à rua.

A febre do rato grita e canta exaltando amor e liberdade, mas acaba jogada e em mortes afogadas.
A boa partida, que exala amor, dor e vida é maior que qualquer placar injusto, 
placar que prende e mata 
quem 
grita 
por 
vida. 

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